Marketing Lab

Monday, October 02, 2006


Números e intuições

Ao longo das últimas semanas vimos muitas discussões acerca da disputa presidencial que resultaram no acirrado embate político dos "todos contra um" que garantiu o segundo turno aos presidenciáveis.

Durante todo o período eleitoral fomos bombardeados por dezenas de pesquisas realizadas pelas mais conceituadas instituições que davam como certa a reeleição do atual presidente.

Para a surpresa de grande parte da população as projeções não se confirmaram. O que era dado como certo, saiu pela culatra. Mas, por quê?

Por que, mesmo nos últimos dias, nenhuma pesquisa conseguiu antecipar o que realmente viria a acontecer? Mesmo já com ampla divulgação sobre mensalões, sanguessugas e dossiês, apenas alguns dias antes do dia 1º de outubro, nenhuma pesquisa indicou que haveria grandes e reais chances de um 2º turno?

Sem querer entrar no mérito da metodologia adotada pelos institutos (considerarei que o método é consistente), da competência dos profissionais que elaboraram, aplicaram a avaliaram os dados das pesquisas (consideremos, igualmente, que os profissionais possuem qualificação) e dos possíveis jogos de interesses (que podem interpretar de inúmeras formas diferentes uma mesma informação), como justificar o fato?

OK, por pouco não tivemos um resultado final ainda no primeiro turno, mas as pesquisas apontavam para uma reeleição ao longo de todo o período. Os últimos dados veiculados no dia 30 de setembro de 2006, pela Folha de São Paulo ainda indicavam a vitória do petista com margem de três pontos percentuais (à frente da somatória dos outros candidatos).

Seria descabido deixar de considerar o impacto da notícia sobre os dossiês nas eleições (conforme pesquisa realizada pela Folha SP, 71% das pessoas acreditam que a compra de um dossiê terá impacto direto na reeleição). Mas os eleitores não ficaram sabendo somente no dia da eleição, mas com mais de 10 dias antes.

Então o que aconteceu? Por que as projeções não mudaram? Por que os números não refletiram o desejo da população?

Neste contexto acredito que existem grandes semelhanças entre o ambiente político e o empresarial, em especial ao marketing.

O grande desafio de um planejador é fazer análises e projeções mais próximas da realidade (assim como os pesquisadores políticos), mas não pode olhar somente para os números em compreender com exatidão o ambiente que está inserido.

Em parte, a diferença entre o projetado e o realizado tem origem na crença dos números. Números são grandes aliados, são diretos e objetivos, é preto no branco, mas muitas vezes esquecemos que existem variáveis externas que estão ‘fora do nosso controle’, mas nem por isso devem ser deixadas de lado.

Tanto faz se for uma empresa ou um candidato concorrente; se for um funcionário desqualificado ou um ‘companheiro com má intenção’; se for um cliente ou um eleitor. O resultado é sempre o mesmo.

Um planejamento (assim como uma projeção de resultado de uma eleição) precisa contemplar uma 'margem de erro' segura o suficiente e precisa ser flexível para se adaptar rapidamente às mudanças no cenário. Precisa ter uma metodologia consistente e envolver pessoas competentes, mas, acima de tudo, precisam ser analisadas de forma fria (números) e intuitiva (felling de que um número pode não estar correto).

O quadro que vivenciamos neste último domingo deve servir para nós como exemplo de algo a ser evitado. O cenário poderia ser muito diferente se o candidato da situação não tivesse acreditado não cegamente nos números, baseando toda a sua estratégia só neles (inclusive com momentos de 'superioridade').

No mercado, isso não tem perdão e, assim como para nosso atual presidente, pode custar muito caro.

Inspirations
- Pesquisa DataFolha para Presidente
- Pesquisa da Folha Online sobre impacto do dossiê
- Planejamento estratégico
- Pesquisa de mercado

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