Marketing Lab

Friday, March 02, 2007


Evolução do mesmo


Há algumas semanas tenho acompanhado algumas matérias sobre a Internet 3.0, evolução do modelo atual, digamos, mais “inteligente”. Reportagens fervorosas de defensores e de críticos sobre a nova etapa proposta para a Internet e a forma como estamos lidando com a evolução do meio.

A idéia é basicamente a seguinte:

Tudo começou com a implementação, ampliação e consolidação da Internet como meio efetivo de comunicação e de relacionamento, que passou a ganhar notoriedade entre os anunciantes por ser permitir uma abordagem interativa e participativa com o target. Os especialistas chamam esta etapa como Web 1.0.

O passo seguinte foi criar ferramentas que permitissem e incentivassem a participação dos usuários em relação à produção de conteúdo personalizado que pudesse ser transmitido para sua rede de relacionamento e para o mundo. Este é o momento atual, onde vemos a popularização de sites de buscas (Google e Yahoo), de relacionamento (Orkut e MySpace) e de entretenimento direto (Blogger e YouTube). Com a Web 2.0, ambientes interativos e personalizados ganharam força, virando referência dentro do segmento publicitário.

Este movimento, em sua essência, é uma mudança significativa no pensamento estratégico de marketing e de comunicação que estamos habituados. Finalmente estamos passando por um momento de consolidação de conceitos como personalização, customização e segmentação, através da participação ativa do público na vida da empresa.

Tendo isso em mente, me pergunto: então o que é exatamente a Web 3.0? Para quê ela existe?

A melhor explicação que encontrei foi de Daniel Gruhl, um dos diretores do IBM Research Center: “A rede atual é como uma lista telefônica com bilhões de páginas. Um mecanismo de busca como o Google permite que o usuário pesquise o conteúdo de cada página (...) A Web 3.0 organiza e agrupa essas páginas, por temas, assuntos e interesses previamente expressos pelo internauta”.

A Web 3.0 tem como proposta impulsionar o crescimento da Internet através da personalização, da segmentação, da pertinência e adequação, identificando tendências, antecipando demandas – e é aqui que algo me soa estranho; isso não é o conceito mais conhecido (e esperado) da Internet? E não é neste ponto que estamos no estágio atual?

Este modelo de negócio não foi chamado de CRM há alguns anos? Termos como “segmentação”, “adequação”, “tendências”, não são comumente utilizadas em nossos planos de marketing e comunicação?

É verdade que o consumidor moderno está mudando, sendo mais crítico e exigente quando à qualidade de produtos e serviços, bem como de nossos planos e é indiscutível a importância da Internet sobre ele. Até onde vejo, a denominação de “Web 3.0” nada mais é do que uma forma dizer para todo mundo que a Internet está se tornando um meio que entende os anseios desta nova geração de consumidores, sem alarde, sem manifestos aguerridos e tempestuosos.

É uma evolução natural, que reforça os valores que eram usados há dez anos atrás para “vendê-la” como meio. Apesar de soar como uma crítica, isto deve ser interpretado como um elogio. Isto porque o que outros meios deveriam também começar a se preparar para a Televisão 3.0 (a televisão digital ainda não decolou), para o Rádio 3.0 (emissoras que permitem montar meu setlist), para o Outdoor 3.0 (interativo e informativo em real time).

Talvez fosse mais fácil parar de criar versões e passar a reforçar o meio, de forma que possa ganhar cada vez mais representatividade nas verbas, ainda massivamente concentradas na televisão.

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